Sábado, 10 de Janeiro de 2009
Volta Salomão

Está frio, frio, frio, parece que a colecção de arte egípcia do BPN era falsa como Judas e o Baltazar Nunes ficou com a guarda definitiva da Esmeralda. Pergunto-me: chamar-lhe-á Esmeralda? Ou Ana Filipa? A história desta menina saltou para as primeiras páginas dos jornais há três anos e creio que não houve quem não se comovesse com a história do sargento Luís Gomes, condenado a seis anos de prisão por ter querido ficar com a criança de quem cuidava desde dos três meses. Esta foi a história que nos contaram na altura. Era uma pobre família que, sofrendo já por não poder ter filhos naturais, queria adoptar, tinha-se cruzado com Aidida Porto e criado a Esmeralda, a quem chamou Ana Filipa.

Sim, no início, eu também fiquei sensibilizada com o drama da família, mas, a meio do caminho fomos obrigados a pensar, nem que fosse levemente, que nos estava a escapar qualquer coisa se, apesar das 10 mil assinaturas de habeas corpus e de todo o apoio público ao casal Luís Gomes e Adelina Lagarto, os tribunais continuavam a dar razão a Baltazar Nunes.

Mas basta olhar para a cronologia dos eventos, sobretudo aqueles que se passaram antes do caso entrar na agenda dos jornais, para perceber que Baltazar não é aquele pai que não ligava e, do nada, se terá lembrado de pedir a sua custódia.

Antes mesmo de começar um processo de adopção por parte dos pais afectivos, em 2002, já corria um outro para se perceber se Baltazar era mesmo o pai de Esmeralda. E a verdade é que este senhor, apesar de não ter acreditado quando a mulher com quem tinha dormido lhe disse que estava grávida, acatou a decisão do tribunal e requereu a guarda da menor.

Não vou dizer que isto não me surpreende. Acho um bocadinho estranho que lhe tenha nascido logo ali um grande amor só por saber que a miúda era sangue do seu sangue, mas a verdade é que o fez e não desistiu. E também é verdade que desde 2004 que a Justiça lhe dá razão.

De então para cá, o tribunal apenas deu razão numa coisa aos pais afectivos: que sim, que eles também tinham o direito a recorrer da sentença, em 2006. A família tem recorrido sempre e um dos argumentos que serve de justificação para não quererem entregar a criança é o facto de ela os conhecer e de a quererem tirar o mundo que conhece. Ora, para mim, a maior contradição é essa: foram eles que a retiveram ilegalmente durante cinco anos. Foram eles que a impregnaram de memórias de que ela não se pode livrar.

Sim, eu sei que isto é tudo muito mais complicado do que eu estou a dizer. Não acredito que a Ana Filipa fugisse a sete pés de Baltazar Nunes como não acredito agora que queira os pais afectivos ao largo. Mas acho que é importante não lançar sempre pedras aos tribunais. Perante um caso bicudo, tomaram uma decisão. Se não foi cumprida não foi por causa deles.


tags:

publicado por Lina às 01:15
link do post | comentar | favorito

pesquisar
 
Abril 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9

11
12
14
15
16
17

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
28
29
30


Presente

Volta Salomão

Passado

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

links
tags

todas as tags

blogs SAPO
subscrever feeds