Sexta-feira, 20 de Novembro de 2009
Ser católico dá muito trabalho

Tenho quase, quase a certeza que quando crescres, querida Mini, não terás muitos amigos que sejam baptizados .

De vez em quando as pessoas perguntam-nos: "Quando é que baptizam a Madalena?". Por vezes apetece-me dizer: nunca. Mas a verdade é que a vamos baptizar num dia concreto. O dia em que ela quiser.

 

Cá em casa não temos nada contra Deus, nem contra a Igreja, nem contra a instituição. Aprecio bastante padres, freiras, os rituais católicos de uma forma geral e os católicos que conheço em particular. E é por  isso mesmo, pelo sentido de responsabilidade, que não vamos baptizar a Mini. Não quero ser mais uma que faz a festa (e Deus sabe como eu gosto de festas!) e depois não cumpre.

 

Baptizar uma criança implica obrigações que são mais do que cumprir os 10 mandamentos. Se possível, era interessante educá-la na religião, o que implica, pelo menos no meu catecismo, ir à missa todas as semanas e participar na construção da Igreja que somos todos nós (para os que acreditam). E isso não me sinto preparada para fazer.Portanto, não há festa. Esta, pelo menos. Por enquanto.


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publicado por Lina às 09:00
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Quinta-feira, 11 de Junho de 2009
Notícias nossas, pois então

Estamos a digerir os resultados das eleições e, sobretudo, estamos a digerir o bolo de São João que a avó F. nos deu no Porto. Três dias a norte a acompanhar a chuva, uma maçada! Tantos planos para ir a Serralves - exposição e jardins - e não deu sequer para matar saudades do castelo do queijo. Lousy! E como não sabíamos que o hotel tinha um mega-playground, lá fomos conhecer o El Corte Inglés de Gaia. Por incrível que pareça, é tal qual o de Lisboa (ironizo!), mas o elevador panorâmico dá mais medo. A visita valeu pelo facto de podermos impressionar quem passa com o talento da nossa filha para comer fora de casa. Deixa o mais céptico de boca aberta.

Quem diria que, no seio familiar, é uma peste que não faz nada do que lhe pedimos?

Hoje de manhã cobriu-se de glória - e nós de vergonha - quando se cruzou com um miúdo galego de 18 meses na sala de pequenos-almoços. Deu-lhe abraços, beijos e, quando ele tardava em reagir, um empurrãozinho para o pôr em sentido. Lamentável ter de me pôr a limpar-lhe a barra dizendo coisas como "ela está só a ser querida, quer dar-lhe um abraço". Sim, sim. Era distrairmo-nos e vazava-lhe um olho.

 

Entretanto, as noites na Invicta foram infernais - dormir no mesmo quarto que os pais, barulhos, etc - e confirma-se tendência dos últimos dias: só dorme ao colo do pai. Para a semana vai ser bonito, vai.

 

Em contrapartida acrescentou uma nova palavra ao vocabulário: "Viva", singela homenagem à avó paterna, que foi quem lha ensinou. Dita pela Mini soa qualquer coisa como "Piba" e hoje acordou encantada, despertando-nos com sucessivos "piba, piba". E, no entanto, não terá razão o amigo João quando nos pergunta por que não deixamos que se esqueça desta palavra? By the way, Madalena, há O João e A João. Duas pessoas distintas, topas?

 

De resto, também andamos meios zonzos com esta história do avião que caiu. Parece que uma certa e determinada pessoa quer a família a voar por separado para iludir as estatísticas e prevenir acidentes. A mamã não sabe. Mas tem a certeza que isto era mais divertido quando parecia o argumento do "Lost" e não tinham começado a aparecer corpos. Sempre se podia sonhar, não era?

 

E, pronto, as nossas férias - que eram para ser em Berlim, que eram para ser no Algarve, que eram para ser no Alentejo - estão resumidas a isto.Três dias no Porto e o resto por cá. Já me dou por contente se conseguir ir à Morena na sexta (amanhã, quais príncipes das Astúrias e prole, temos uma comunhão) e lambuzar-me com sardinha assada na sexta-feira. E estou chateada? Não. Nadinha. Há a saudinha, há o estarmos os três juntos, há já ter lido o jornal inteirinho dois dias, há ter conseguido ter mais umas páginas da biografia do Obama, há ter feito sudokus e há, claro, o facto do papá não ter ligado muito ao telemóvel. Xuxu-beleza! Parece que estamos no estrangeiro. E Lisboa está uma maravilha. Benza-a Deus!



publicado por Lina às 00:29
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Sábado, 21 de Março de 2009
Primeiros momentos

Era um plano adiado há muito tempo, mas finalmente podemos fazer o visto mental: a Madalena esteve num concerto para bebés.

Portou-se muito bem, melhor do que pensava que algum dia se portaria (ela e os outros meninos todos), e no fim ainda teve direito a uma visita-maravilha pelo Oceanário.

Não sei o que a fascinou mais. Se a música, se as outras crianças, se o escuro, se os instrumentos, se os peixes. O ar espantado dizia tudo.

Não é que se faça sem esforço isto de acordar cedo a um sábado para estar no Parque das Nações às 09h00, mas valeu a pena. E, está prometido, vamos voltar. A este sítio ou a outro. (E já agora, tenho de agradecer aqui à Carla Castro pela dica. Se não fosse ela ainda estava agarrada ao telefone a tentar reservar um dia, lá para o último trimestre de 2010 para os concertos no Centro Cultural OIga Cadaval, em Sintra. É mais: já voltei a tentar marcar e nada. Parece que só com cunha! Alguém conhece os Worm?)

 

E a montanha russa de sensações não parou por aqui. Hoje, pela primeira vez nos seus 13 meses e 21 dias de existência, Mini almoçou num restaurante. E quando digo almoçou é ter comido tudo aquilo a que tinha direito:  Sopa de legumes, hamburguer grelhado com arroz e abacaxi. Só faltava pedir um cafézinho em cima. A honra coube à Cervejaria Portugália do Cais do Sodré (foi o que se pôde arranjar).

 

 

 



publicado por Lina às 23:10
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Sábado, 31 de Janeiro de 2009
31 de Janeiro, 14h40

Há um ano atrás estava deitada no bloco 3 do hospital CUF Descobertas. Era quinta-feira, estava frio mas sol, e estavas tão agarrada à mamã que foi preciso um forcep para te fazer sair. Baixaram o pano verde que tapava a cesariana e marcar a tua chegada. Não te consegui ver, mas olhei bem para o relógio: 14h40.

Ouvi-te chorar enquanto a enfermeira preparava a tua primeira roupinha. Babygrow cor de rosa, calcinhas e body brancos, e um gorro às flores. "E agora o que é que eu faço? Este gorro é tão giro!", dizia a enfermeira Sofia, que, toda despachada, te pôs o gorro rosa do hospital e por cima o teu.

Trouxe-te para o pé de mim e encostou-te à minha cara. Tão pequenina, branquinha e perfeitinha. Dei-te um beijinho. Estavas de olhos fechados, a fazer aquele ar de "não incomodar, se faz favor" que ainda hoje fazes. Dei-te um beijinho e foste para o berçário.

O pai estava na sala de espera a ler a "Sábado" e não deu por nada. O Dr.. Pedro entrou por ali dentro, ainda de pijama verde e máscara, e disse "O que é que está aqui a fazer? A sua filha já nasceu!"

 

Não temos essa revista. Foi para o lixo por estar demasiado amarrotada, o que é uma estúpida ironia, tendo em conta que foi a única coisa que lemos, apesar de termos parado de propósito na Repsol da Expo para comprar todos os jornais que tinham saído nesse dia para mais tarde recordar e não termos lido nem uma linha de nenhum outro. Não me lembro de nada que se tenha passado nesse dia.

 

Talvez seja porque no dia 31 de Janeiro de 2008 não aconteceu nada de importante, a não ser o teu nascimento. E acredita que tentei. Acordei às 07h00 para comer, tomar banhoca e respirar todo o ar que pudesse do meu último dia sem filhos, e estive a ver a SIC Notícias, mas não me lembro de nada. Não me lembro mesmo. Mas lembro-me de ter pensado: deixa-me fixar isto para depois contar à minha filha. E lembro-me de descer as escadas da casa antiga - a tua primeira casa - com o saco azul do pai e as roupas do três lá dentro. Antes de ir ao hospital passámos pela pediatra e fiquei a achar que era destino porque ela só dá consultas à tarde e nesse dia, excepcionalmente, pediu para irmos de manhã.  E como se não bastasse, a senhora de recepção fazia anos nesse dia e ficou com cara de twilight zone quando lhe dissemos a tua data de nascimento - ali estava uma mulher a explodir de grávida a dizer-lhe a data de um nascimento que ainda não tinha acontecido.
Às 11h00, como planeado, estava na recepção do hospital. Não houve gritos, nem carros em alta velocidade com os quatro piscas ligados, nem contracções, nem nada. Apenas: "Venho ter um filho".

Houve momentos engraçados, como a avó ligar e a mãe lhe dizer que estava a chegar ao hospital e já estar na maca ou a anestesista que parecia uma esquiadora polaca que tratava mal quem que lhe aparecia à frente e a sua partner, a enfermeira que queria que eu fizesse o parto com umas cuecas descartáveis na cabeça. Abençoada enfermeira Sofia que chegou entretanto com uma touca esterilizada. Ou o ataque de comichão e borbulhas que senti na cara quando fiquei sozinha no recobro a chorar porque tinhas nascido e já eras pessoa.

Mas de tudo, de tudo mesmo, se tivesse de escolher um momento, O MOMENTO, queria ficar com aquela imagem do pai a empurrar o berço e a trazer-te para junto de mim. Por fim, estávamos os três. UMA FAMÍLIA.



publicado por Lina às 14:40
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