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  <title>Blog da Madalena</title>
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  <description>Blog da Madalena - SAPO Blogs</description>
  <lastBuildDate>Wed, 28 Jan 2009 23:24:48 GMT</lastBuildDate>
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  <pubDate>Sat, 31 Jan 2009 14:40:31 GMT</pubDate>
  <title>31 de Janeiro, 14h40</title>
  <author>Lina</author>
  <link>https://blogdamadalena.blogs.sapo.pt/82554.html</link>
  <description>&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;Há um ano atrás estava deitada no bloco 3 do hospital CUF Descobertas. Era quinta-feira, estava frio mas sol, e estavas tão agarrada à mamã que foi preciso um forcep para te fazer sair. Baixaram o pano verde que tapava a cesariana e marcar a tua chegada. Não te consegui ver, mas olhei bem para o relógio: 14h40.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;Ouvi-te chorar enquanto a enfermeira preparava a tua primeira roupinha. Babygrow cor de rosa, calcinhas e body brancos, e um gorro às flores. &quot;E agora o que é que eu faço? Este gorro é tão giro!&quot;, dizia a enfermeira Sofia, que, toda despachada, te pôs o gorro rosa do hospital e por cima o teu. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;Trouxe-te para o pé de mim e encostou-te à minha cara. Tão pequenina, branquinha e perfeitinha. Dei-te um beijinho. Estavas de olhos fechados, a fazer aquele ar de &quot;não incomodar, se faz favor&quot; que ainda hoje fazes. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Dei-te um beijinho e foste para o berçário.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;O pai estava na sala de espera a ler a &quot;Sábado&quot; e não deu por nada. O Dr.. Pedro entrou por ali dentro, ainda de pijama verde e máscara, e disse &quot;O que é que está aqui a fazer? A sua filha já nasceu!&quot;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Não temos essa revista. Foi para o lixo por estar demasiado amarrotada, o que é uma estúpida ironia, tendo em conta que foi a única coisa que lemos, apesar de termos parado de propósito na Repsol da Expo para comprar todos os jornais que tinham saído nesse dia para mais tarde recordar e não termos lido nem uma linha de nenhum outro. Não me lembro de nada que se tenha passado nesse dia.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Talvez seja porque no dia 31 de Janeiro de 2008 não aconteceu nada de importante, a não ser o teu nascimento. E acredita que tentei. Acordei às 07h00 para comer, tomar banhoca e respirar todo o ar que pudesse do meu último dia sem filhos, e estive a ver a SIC Notícias, mas não me lembro de nada. Não me lembro mesmo. Mas lembro-me de ter pensado: deixa-me fixar isto para depois contar à minha filha. E lembro-me de descer as escadas da casa antiga - a tua primeira casa - com o saco azul do pai e as roupas do três lá dentro. Antes de ir ao hospital passámos pela pediatra e fiquei a achar que era destino porque ela &lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;só dá consultas à tarde e nesse dia, excepcionalmente, pediu para irmos de manhã.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;E como se não bastasse, a senhora de recepção fazia anos nesse dia e ficou com cara de twilight zone quando lhe dissemos a tua data de nascimento - a&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;li estava uma mulher a explodir de grávida a dizer-lhe a data de um nascimento que ainda não tinha acontecido.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Às 11h00, como planeado, estava na recepção do hospital. Não houve gritos, nem carros em alta velocidade com os quatro piscas ligados, nem contracções, nem nada. Apenas: &quot;Venho ter um filho&quot;.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Houve momentos engraçados, como a avó ligar e a mãe lhe dizer que estava a chegar ao hospital e já estar na maca ou a anestesista que parecia uma esquiadora polaca que tratava mal quem que lhe aparecia à frente e a sua &lt;i&gt;partner&lt;/i&gt;, a enfermeira que queria que eu fizesse o parto com umas cuecas descartáveis na cabeça. Abençoada enfermeira Sofia que chegou entretanto com uma touca esterilizada. Ou o ataque de comichão e borbulhas que senti na cara quando fiquei sozinha no recobro a chorar porque tinhas nascido e já eras pessoa.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;Mas de tudo, de tudo mesmo, se tivesse de escolher um momento, O MOMENTO, queria ficar com aquela imagem do pai a empurrar o berço e a trazer-te para junto de mim. Por fim, estávamos os três. UMA FAMÍLIA.&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <category>há um ano</category>
  <category>cesariana</category>
  <category>aniversário</category>
  <category>família</category>
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  <pubDate>Fri, 30 Jan 2009 23:40:57 GMT</pubDate>
  <title>O outro lado do nosso 11 de Setembro ou como protagonizámos um episódio do &quot;Dr. House&quot;</title>
  <author>Lina</author>
  <link>https://blogdamadalena.blogs.sapo.pt/84692.html</link>
  <description>&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;Ok, se voltássemos atrás dispensávamos esta nota hospitalar nas nossas biografias, mas também houve momentos &lt;i&gt;light&lt;/i&gt;. Como as saídas de algumas pessoas com quem nos cruzámos e que eram deste calibre:&lt;br type=&quot;_moz&quot; /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;&lt;span&gt;- Trabalho aqui há 19 meses e nunca tinha visto uma coisa assim... &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;Isto quando não faziam excursões até à incubadora da Mini.&lt;br type=&quot;_moz&quot; /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;- Esta menina é mais intensiva do que alguns meninos que lá tenho. (Com os cumprimentos de uma auxiliar dos cuidados intensivos da pediatria.&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;
&lt;p&gt;Mas, atenção, nenhuma destas coisas foi dita para ofender ou preocupar os pais. Saía-lhes.&lt;/p&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;Na segunda semana, quando a Mini começou a dar mostras que ia dar a volta por cima, o ambientes distendeu-se e entrámos na fase &quot;Dr. House&quot;. Toda a gente do piso de obstetrícia queria averiguar as razões para o estranho caso da hipertensão pulmonar.&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;&lt;b&gt;Mãe -&lt;/b&gt; Estou cá porque a minha filha está na UCERN (Unidade de Cuidados Especiais a Recém-Nascidos)&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;&lt;b&gt;Médica -&lt;/b&gt; Ai, sim? Que chato (com ar de desinteresse). Então e o que é que ela tem?&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;&lt;b&gt;Mãe -&lt;/b&gt; Hipertensão pulmonar.&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;&lt;b&gt;Médica -&lt;/b&gt; Você é que é a mãe da Madalena?! (súbito e não disfarçado interesse)&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;&lt;b&gt;Mãe -&lt;/b&gt; Sim.&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;&lt;b&gt;Médica -&lt;/b&gt; E tomou Indocid na gravidez?&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;Pelos vistos esta era a pergunta do milhão de dólares, e toda a gente a fez - da coordenadora do departamento, ao  obstetra, passando pelas enfermeiras e pelos médicos de serviço. E eu que nem nunca na vida tinha ouvido falar de semelhante remédio. &lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;Mas a conversa não se ficava por aqui:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;&lt;b&gt;Médica -&lt;/b&gt; Tomou outros remédios?&lt;br /&gt;
&lt;b&gt;Mãe -&lt;/b&gt; Só ben-u-ron.&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;&lt;b&gt;Médica -&lt;/b&gt; É saudável?&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;Não consegui esclarecer as dúvidas dos médicos, mas percebi - helás - por que razão Gregory House não descansava enquanto não entendia as causas. É lá que reside a solução. Para nós, porém, o caso ficou sem resposta.&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;No meio daquela confusão toda e por incrível que pareça, gostei das pessoas que conhecemos. As médicas, as enfermeiras, os outros meninos que tinham o nome na incubadora e os pais deles: o Dinis e a mãe, e as gémeas Rita e Marta, que nasceram no dia 1 de Fevereiro com pouco mais de 1 quilo e tinham uns pais muito divertidos. Gostava de os ver agora.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <category>hipertensão pulmonar</category>
  <category>há um ano</category>
  <category>doente</category>
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  <pubDate>Fri, 30 Jan 2009 23:30:59 GMT</pubDate>
  <title>Cada pessoa tem o seu 11 de Setembro</title>
  <author>Lina</author>
  <link>https://blogdamadalena.blogs.sapo.pt/84337.html</link>
  <description>&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;Muito lá atrás, em Julho, prometi que não voltaria falar nos atribulados primeiros dias de vida da Madalena. Acontece que está a fazer um ano e chegou a altura de tocar no assunto. A Margarida Rebelo Pinto chamar-lhe-ia catarse. Eu acho que é apenas que cada pessoa tem o seu 11 de Setembro, um momento trágico que muda tudo. E gostava de fazer um relato para a Mini, que, por sorte, não se lembra nem se lembrará desses primeiros tempos (mas com um pouco de sorte compreende quão importantes são os médicos e vai estudar Medicina).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;R&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;ecuemos então até 1 de Fevereiro de 2008, às 09h00, quando levaram a Mini para tomar a sua primeira banhoca e ser revista pela pediatra. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;Surpresa!  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;Afinal aqueles gemidos que nós tínhamos insistido com a minha mãe que eram normais, afinal não eram assim tão normais. E aquele arfar? Meu Deus! E os pulmões a bombarem como se a Madalena tivesse acabado de fazer a meia-maratona? Menos normal ainda.  Diagnóstico: pneumotórax do lado direito para a Mini, cartão amarelo para os pais que não fizeram caso dos gemidos.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;Para mim aquilo já estava a ser uma tragédia, mas depois foi piorando, piorando, e  o que começou com uma criança a ser vigiada na incubadora e um dreno, passou para hipertensão pulmonar. &quot;Isso é que nos está a preocupar agora&quot;, disse a dra. Olga. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;Ela subiu de propósito ao quarto 301 para nos dizer isto e eu acho que não entendi bem a extensão do que me queria dizer. Não entendi que fosse pior. Só comecei a acordar para a questão quando no dia seguinte ela nos perguntou: &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;- Têm seguro, não têm?  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;Com isso e com o facto de estar uma equipa inteira mobilizada para aquele caso. Ou de só a nossa filha ter o nome escrito na incubadora.&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;Quando uma pessoa não percebe nada de medicina, só se pode fiar nos sinais que vai recebendo e estes entendi muito bem. Mal sabia o que se ia passar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;V&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;entilação, a sonda no nariz, o cateter no umbigo, as visitas do cardiologista, os perfusores de remédios empilhados, a morfina, a indometacina, o viagra, a alimentação parentérica, as análises para medir os gases, estar sempre nua (parece uma coisa sem importância, mas foi bastante penoso para nós vê-la assim, como se nem fosse bem pessoa)... &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;Ao princípio ligava para o hospital às 06h00 da manhã e à 01h00 para saber como ela estava. Depois desisti, tal era o medo do que me pudessem dizer.&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;Sei que foram apenas 15 dias  e que isso não é nada &lt;span&gt;(quem dera muita gente, não é?), &lt;/span&gt;&lt;span&gt;mas naquela altura era impossível não viver aquilo intensamente. 1)Não sabíamos se iam ser só 15 dias; 2) só nos diziam para vivermos &quot;um dia de cada vez&quot;. Da primeira e única vez que nos deram notícias positivas, ela só piorou.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;E por mais que uma quantidade considerável de pessoas nos dissesse &quot;não se preocupem, vai correr tudo bem, os bebés são mais fortes do que parecem&quot;, nós é que a estávamos a ver ali, cada dia mais mirrada - e mirrada é mesmo a palavra. &lt;/span&gt;Não fotos da Madalena nesta altura e ainda bem. &lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;As fotografias só iam reter imagens que não queremos e assim já nem lembro de todos os detalhes (ainda que, curiosamente, me lembre do cheiro de desinfectante).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;
&lt;p&gt;Depois de seis dias de agonia, na quinta-feira (uma semana depois de ela ter nascido), às 22h30, o obstetra (que foi acompanhando as nossas dúvidas) ligou-nos a dizer que podíamos acalmar. A Madalena tinha estabilizado. &quot;E se a dra. Graça diz isso é porque podem mesmo descansar, ela é sempre muito cautelosa nas boas notícias&quot;. Fomos para o hospital muito mais confiantes (e descansados). E, então, às 23h30, o papá recebeu uma chamada. O pai tinha morrido. Quão cruel pode ser isto?&lt;/p&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <category>hipertensão pulmonar</category>
  <category>há um ano</category>
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  <pubDate>Sat, 14 Jun 2008 21:29:24 GMT</pubDate>
  <title>Há um ano - Positivo!!!</title>
  <author>Lina</author>
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  <description>&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;&lt;a href=&quot;http://fotos.sapo.pt:80/bJ4ZlWgszNYtuZsW00yJ&quot; target=&quot;_blank&quot; rel=&quot;noopener&quot;&gt;&lt;img width=&quot;320&quot; vspace=&quot;10&quot; hspace=&quot;10&quot; height=&quot;234&quot; border=&quot;0&quot; align=&quot;left&quot; src=&quot;http://fotos.sapo.pt:80/bJ4ZlWgszNYtuZsW00yJ/s320x240&quot; style=&quot;border-color: black;&quot; alt=&quot;&quot; /&gt;&lt;/a&gt;A noite de Santo António do ano passado não teve Bica, nem Alfama (como este ano), mas teve sardinhas e sangria na nossa cantina favorita, o Verde Gaio, e, no final, quando chegámos a casa, um lindo manjerico, &lt;i&gt;so to speak&lt;/i&gt;: fizemos o tal teste de gravidez que era só por descargo de consciência e, zás, positivo!!! Bem, quer dizer, nós não percebemos logo que a Mini-M vinha aí, nem pouco mais ou menos. Estava lá uma ténue linha que deu origem a mais um diálogo absurdo e bastantes dúvidas. &quot;Mas tu vês a linha cor-de-rosa?&quot;, perguntava eu. &quot;Não, não vejo nada&quot;. E eu a ver uma linha fininha, fininha, mas uma linha, e a pensar que estava a desenvolver uma gravidez psicológica tal era a minha vontade de ter filhos. Ou isso ou estava pior da vista. Só havia uma maneira de ter a certeza. Com outro teste.  &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;Portanto, posso não me lembrar do que jantei ontem mas sei que no dia 13 de Junho de 2007 estava acordada às 07h00, a fazer tempo para ir à farmácia. Repetimos o teste e já não havia margem para dúvidas. Cor-de-rosa estava, se era um bebé... nós queríamos acreditar que sim e a partir desse momento mudou logo tudo. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;Na festa de anos do Henrique nesse fim-de-semana delirámos com os miúdos e já nem fizemos aquela cara de caso quando a dona Mila nos disse que tínhamos de encomendar um &lt;i&gt;baby&lt;/i&gt;. &quot;Que seja menina&quot;, respondemos-lhes. E cá está ela. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <category>há um ano</category>
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  <pubDate>Mon, 09 Jun 2008 23:29:59 GMT</pubDate>
  <title>Há um ano - O que passava pela cabeça da mamã</title>
  <author>Lina</author>
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  <description>&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;&lt;span&gt;Há um ano atrás, quando pessoas novas chegaram à redacção onde trabalho, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;&lt;span&gt; não sabíamos que a Madalena vinha aí. Aliás, eu passava o tempo a achar que era o meu corpo malvado que queria estragar as minhas férias em Nova Iorque. Por isso, convencida de que se tratava de uma questão psicológica, impus uma meta a mim mesma:&lt;/span&gt; &quot;Se&lt;span&gt; isto não se resolver até quarta-feira, faço um teste de gravidez&quot;.&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <pubDate>Sun, 01 Jun 2008 20:03:47 GMT</pubDate>
  <title>Há um ano - A Feira do Livro</title>
  <author>Lina</author>
  <link>https://blogdamadalena.blogs.sapo.pt/30580.html</link>
  <description>&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;As hormonas grávidas da Madalena começaram a &quot;falar&quot; há um ano. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;Num fim-de-semana com um tempo parecido com este, fomos à Feira do Livro e tive um daqueles ataques de sensibilidade quando vi as autoras dos livros &quot;Uma Aventura&quot;, Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada.&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;Para resumir uma história já de si curta, em vez de pedir um autógrafo e manter uma conversa adulta, desatei a chorar quando as vi. Mas como até o &quot;Friends&quot; me emociona, o agora-papá só se ria. E eu também. Compreendia o ridículo da situação, mas não era capaz de parar. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;Mal sabíamos nós o que vinha aí...&lt;br /&gt;
&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;
&lt;p&gt; &lt;/p&gt;</description>
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  <category>há um ano</category>
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  <pubDate>Thu, 22 May 2008 22:09:55 GMT</pubDate>
  <title>Há um ano - O milagre</title>
  <author>Lina</author>
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  <description>&lt;p&gt;&lt;span style=&quot;font-family: Georgia;&quot;&gt;&lt;span style=&quot;font-size: small;&quot;&gt;Há um ano, algures entre o casamento do Rui e da Raquel e o concerto da Beyoncé, deu-se essa magnífica coincidência cósmica que hoje se chama Madalena. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;</description>
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  <category>há um ano</category>
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