Como na creche vai comer às 11h30, esta semana começámos a adaptar os nossos ritmos aos que vai ter e, ao contrário do que pensava, não está a ser assim tão difícil. Almoça muito mais cedo e não faz a sesta da manhã, mas em compensação dorme muito mais à tarde.
Pareço-vos calada hoje?
É impressão!
Estou a regozijar-me interiormente pelo facto de Portugal um ensino tão "à frente", tão moderno e pelo qual "o nosso querido líder" (a.k.a. primeiro-ministro Sócrates) tanto tem feito.
Portugueses, não há razão para enfrentarmos o futuro com apreensão: as nossas escolas podem não ser as melhores, diz um estudo encomendado pelo "nosso querido líder", mas, diz o mesmo estudo, as reformas têm surtido muito efeito.
A sério, não o deviam incrimar no caso Freeport, devíamos era processá-lo por burla, ou qualquer outro crime que queira dizer isto: vender uma ideia que não corresponde à realidade.
(Acrescento aqui que o mesmo estudo diz que a escola a tempo inteiro mais não tem feito senão alongar o currículo dos alunos não é positivo, mas o primeiro-ministro quer saber disso? Não, ele gosta é que a OCDE diga que as reformas que ele introduz são muito boas e positivas. Sim, sim, José Sócrates. És o maior! Já sabemos...)
Adenda instântanea: Estou a ouvir o princípio da entrevista do Mário Crespo ao Pedro Silva Pereira e, basicamente, corrijam-se se estiver errada, ele está a queixar-se da comunicação social? A mesmo que ele usa para mostrar os seus maravilhosos estudos sobre o brilhante estado da nossa educação?
Se vivêssemos onde eu cresci era tudo muito simples.
A Madalena ia para a escola em São João das Lampas e não se falava mais nisso.
É boa, foi onde andei, uma amiga minha trabalha lá, o corpo docente é estável, a professora de ginástica é a mesma que me ensinou a dar cambalhotas, a Ana Maria (que se lembra de todos e cada um de nós), tem carrinha para ir buscar os meninos e até o pátio onde parti a cabeça a subir às cavalitas da Dália é agora uma área de acordo com as mais apertadas normas da UE.
Acontece que nós moramos em Lisboa.
E aqui é tudo muito complicado.
Há estabelecimentos para todos os gostos:
Com jardim, porque é bom os meninos andarem ao ar livre,
Sem jardim, porque a poluição é muita e afinal não vale a pena.
Laicas, religiosas e assim-assim.
Há escolas Waldorf, tradicionais e modernas.
In e out.
Pagas, semi-pagas e gratuitas.
Que fecham às 5, às 6 ou às 7, mas nunca às 8.
Com prolongamento, sem prolongamento.
Com almoço, com marmita, sem nada.
De direita, de esquerda, ecológicas.
É uma confusão.
E depois a pessoa tem sempre a sensação que aquilo que escolher agora poderá ter repercussões gravíssimas no futuro.
Eh pá, deslarguem-me.
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