Quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009
Assim não vamos a lado nenhum

A ministra francesa da Justiça, Rachida Dati, 43 anos, regressou hoje ao trabalho, cinco dias depois de ter dado à luz a primeira filha.

Notícias como esta deixam-me com pele de galinha.

E fartei-me de barafustar com o assunto na redacção.

Acho que os meus colegas me queriam dizer que cada um faz o que quer, e eu estou de acordo com isso, o que parece que expliquei mal é que não acho que isto seja uma decisão individual. Caramba, é um sinal político daqueles com néon a toda a volta.  Mas como sinal político não merece mais do que o meu desprezo. E um bocado de alegria por não ser francesa.

As mulheres  sem responsabilidades políticas podem ir trabalhar no dia em que parem, da detentora de um cargo político espero mais do que incentivos à natalidade. Conto com o incentivo à parentalidade responsável.  Acho que é importante as crianças terem pais presentes. Ou, se não quisermos usar as palavras de sempre, terem alguém (e não estou a falar de empregadas ou babysitters) que se compromete a dedicar-se a fundo a conhecê-las, protegê-las, educá-las. E isto requer uns mínimos olímpicos, que não se cumprem em cinco dias.

 

Depois, sempre que uma mulher com poder público abdica da sua licença de maternidade (em França são quatro meses) está a dizer que não precisa dela. É simples, não é? E quando uma mulher com êxito o faz, o raciocínio é: se ela que tem mais trabalho não precisa, as outras também podem passar sem ela. São é uns calonas que só pensam em chular o Estado.

Lamento informar, mas gosto do que faço e posso garantir que o meu trabalho é bem menos exigente fisicamente do que a Madalena, pelo que não me estão a castigar mandando-me trabalhar. O que é verdade é que para mim, trabalhadora por conta de outrem, é que os meses de licença de maternidade são os únicos de que dispus para me poder dedicar à minha filha a 100 por cento. E não me arrependo.

Na contabilidade geral do universo, acho que o jornal passou melhor sem mim do que a Madalena passaria sem a mãe. Porque é isso mesmo: eu sou aquela pessoa que decidiu ter uma filha, aceitando os encargos que isso tem. Alguns inesperados, admito. Mas, olhem, é vida.

Gostaria de ser mais tolerante e compreensiva com este assunto, a sério que gostava, mas ultrapassa-me. Ao pé de Rachida Dati, o regresso de Ana Drago ao debate "Corredor do Poder" (RTP1, quintas-feiras à noite) um mês depois de ter dado à luz  não é nada.


sinto-me: Indignada
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publicado por Lina às 21:55
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2 comentários:
De GIA a 9 de Janeiro de 2009 às 10:03
Comecei a trabalhar quando a minha filha mais velha tinha um mês. Foi por opção, porque não tinha na empresa minguém a quem pudesse delegar o trabalho por tanto tempo, porque receava estar em casa tanto tempo só com a bébé, porque o chefe e as "patroas" entravam em pânico de cada vez que pensavam que eu não iria estar presente para o fecho das contas... Para mim foi bom porque realmente gostava de trabalhar e mau porque cada vez que deixava a minha bébé parecia que me estavam a arrancar os orgão internos. A bébé ficou bem, com uma avó superdedicada. O que realmente foi mau foi o exemplo: dada a minha posição na fabrica toda a gente me conhecia e as "patroas" passaram a usar-me como "modelo" e a exigir a todas as mulheres, excepto às operárias, que fizessem como eu. Poucas o fizeram, as outras foram muito maltratadas pela decisão de ficar em casa durante toda a licença. Os actos de uma ministra terão muito mais repercussão!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Cmp.


De trimamã a 9 de Janeiro de 2009 às 14:34
Fiquei de boca aberta!Ainda por cima cesariana... Tenho pena é da criancinha pois esta atitude, egocêntrica, é apenas para dar protagonismo à dita senhora. E o pior é que conseguiu!...


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