Domingo, 24 de Agosto de 2008
Em 1986 é que era bom?

Periodicamente chega à minha caixa do correio o mail mais irritante de todos os mails irritantes (incluindo aqueles de fazer corrente que me deixam sempre com a sensação que sou uma cabra do pior quando não reenvio, que é quase nunca). Esse mail é aquele que diz que nós, gente que nasceu antes de 1986, temos uma sorte do caraças porque na nossa altura podíamos subir às árvores, descer colinas em carrinhos de rolamentos, os nossos paizinhos não nos iam buscar à escola e nem era preciso, porque nós íamos a pé. Só que, pelo menos para mim, não foi bem assim:

Um, eu nem na escola primária fui a pé para a escola. Segundo, aos 10 anos andava 45 minutos de autocarro para a escola e outros tantos no regresso. Quem me dera ter tido pais a levarem-me e a trazerem-me. Pelo menos não teria perdido horas de vida sentada na paragem da Caixa Geral de Depósitos de Sintra à espera do autocarro das 19h20, porque tinha perdido o das 18h20 (é um trauma que tenho, desculpem lá!).

Segundo, eu sei que isto até pode parecer chocante para alguns, mas eu nunca gostei muito de andar a brincar na rua e talvez isso também aconteça com muitos meninos de hoje. Não saem porque não querem, ponto. Também nunca andei de carrinho de rolamentos, nem me falta me fez. Aliás, a simples ideia de usar qualquer coisa sem travões arrepia-me. Ainda bem que já ninguém faz isto ou teria reconsiderado a ideia de te ter, Madalena.

Também não me venham com essa de que antes não havia tanta segurança e sobrevivemos na mesma. Nós sim, e os outros, os que não sobreviveram para contar? Aliás, acidentes é que coisa que não faltava. Só eu, quer era uma panhonha de primeira, parti a cabeça cinco vezes. Cinco! Se fosse hoje vinha a segurança social e retirava-me aos meus pais.

Finalmente, detesto quando dizem que estávamos incontactáveis e ninguém se importava. Não só não estávamos, havia sempre alguém a controlar-nos (nem que fosse uma quinquagésima prima de uma tia), como os telemóveis tornaram a nossa vida muito mais fácil. Odeio essa conversa do "crianças com telemóvel?". De uma vez por todas, aquilo é um electrodoméstico e tudo depende do uso que dele façamos.

 

Normalmente esta linda prosa termina com um "estamos a ficar velhos, mas a nossa infância foi feliz". Foi, mas mal sabem eles que o que realmente me faz sentir cota é que quando comecei a receber estes mails eram dirigidos apenas a pessoas nascidas antes de 1980. Oh pá, obrigadinha. A única coisa que me consola é pensar que, apesar de me lembrar de discos de vinil e do Michael Jackson preto, também só me lembro da versão dos Westlife do "Uptown Girl".



publicado por Lina às 21:16
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