Não somos só nós que estamos a precisar de férias.
À porta de creche, esta tarde, uma tipa qualquer com ar de perua pôs-se aos gritos da rua para que não fechasse a porta. Teria de esperar que a voltassem à abrir, mas será mesmo preciso pôr-se aos berros na rua, no lugar de descarga de passageiros, destinado especialmente a quem vai levar e buscar as crianças (note-se), a gritar: "oh, ssssssssssssssssshhhhh, fecha a porta não". E a mulher a correr por ali fora, a esbracejar, em cima de umas socas, com as banhas todas a saltar daquele top pseudo-sexy, daqueles que a pessoa não pode vestir um dia inteiro porque às 15h00 já cheira a refogado. É nestas alturas que eu lamento não ter um raciocínio mais veloz (ou pérfido). Deixava-a aproximar-se q.b. e depois fechava aquelas porta pesada, grande e perra na tromba dela. Merecia!
Também recomendo férias - e um pouco de educação e aulas de código, vá - ao atrasado mental que estaciona em segunda fila e a quem dei um ligeiro toque no vidro. Portei-me como uma cidadá exemplar (uma verdadeira totó para os padrões da chico-espertice nacional), saí do carro e fui falar com o senhor, que entretanto estava tirar uma foto ao meu carro com o telemóvel. "Boa noite, parti-lhe o vidro ou alguma coisa?", perguntei-lhe. Pois, o borrego não deve estar habituado a gente decente e nem sabia o que havia dizer. Estava tudo ok. Voltei ao carro e a lamentar o pensamento lerdo. Por que haveria de me preocupar se lhe tivesse partido o vidro? Ele não estava em segunda fila? Sou uma totó, mesmo para os meus padrões.
Finalmente, este espaço de 60 segundos deu tempo para me cruzar com a rainha das aselhas ao volante. Tenho pena de dizer isto, mas era uma senhora que não era capaz de ultrapassar o meu carro. Estava em segunda fila, porque eu tinha ido tratar do "sinistro", mas havia espaço para ela passar, tanto mais que eu estava a tratar de uma questão importante. Lá lhe pedi desculpa e que recuasse para eu tirar o carro e que faz a senhora, que conduzia mal mas pensava depressa? Ensaia um princípio de sermão sobre mau estacionamento!
Estava aqui a pensar: será muito piroso instalar uma daquelas barras fofinhas em contagem decrescente para as férias? E é mau sonhar com praia, águas límpidas, peixe grelhado, costoletas na brasa (ia lá faltar a carninha!), bronzeador 50 para criança, cuecas de biquini com a Hello Kitty, pimentos assados, banhocas em piscinas, revistas, caracóis, imperiais, livros, óculos de sol, caipirinhas, dormir a sesta com a Madalena, deixá-la andar nua pela casa, calçar-lhe as mini-havaianas, estar com os amigos, fechar a porta e fingir que não existe mundo, quando o nosso local de trabalho está em ebulição?
A máquina do multibanco ficou-nos com os cartões.
Definitivamente, estamos a perder qualidades.
A última vez que isso nos aconteceu foi em Nova Iorque.
Apesar de este post se reportar ao sábado passado, que fique registado em acta que se um dia a Mini-Madalena seguir os passos da senhora da foto, a brasileira Marta, isso terá, de certeza, a ver com as tardes que passa no jardim infantil a pedir a todas crianças para jogarem à bola com ela. Ou, quiçá, com o facto de articular tão perfeitamente a palavra "bo-la". Ou com as dicas do pai. E, de certezinha, com o facto de se sentar ao seu colo a ver jogos importantes. "Pá, pá" é madalenês para "passa, passa".
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