À frente da escola da Mini há um sinal de proibição de parar "excepto tomada e largada de passageiros" feito à medida de todos os papás que levam as suas crias ao infantário e as recolhem à tarde. Isto, que é claro como água para qualquer pessoa que tenha feito o código, escapa à ética de uma série de condutores que passam naquela rua. "Não há sítio para estacionar? Vai mesmo aqui, a ver se passa", devem pensar.
A coisa nunca me tinha importado na Primavera e no Verão porque damos a volta ao quarteirão a pé. Agora que chove e faz frio a coisa pia mais fino e, que diabo, é para tomar e largar passageiros que o sítio lá está, portanto, porque hei-de andar mais 10 metros que seja para isso? Ora, pobres destes reles condutores, desta parte não têm culpa, eu sou uma mãe leoa e uma terrorista em potência. Canalizo todas as frustrações quotidianas para esse pequeno momento em que descubro a identidade de quem me obriga a deixar o carro uns 10 metros à frente para deixar a Madalena (são poucos metros, eu sei, portanto todos os podemos fazer) ou pedir "faxavor" ao segurança do prédio ao lado para me deixar parar nos lugares deles - onde passo eu a ser a infractora - para me passar da marmita. Vamos em dois e a contar...
A primeira a conhecer a minha fúria foi uma penetra de Clio preto. Há dias e dias que via o carro ali estacionado, mas 1) a senhora tinha uma cadeirinha no carro, donde poderia estar a deixar uma criança na escola tal como eu, apesar de nunca por lá ter visto semelhante alminha; 2) pode estar a deixar uma criança ou outra pessoa qualquer em outro sítio qualquer, o sinal diz "tomada e largada de passageiros" não diz "tomada e largada de passageiros na escola da Madalena". Ficava furibunda, mas enfiava a violinha no saco e pronto. Até que a vi estacionar, dar dinheiro ao arrumador e sair toda lampeira avenida abaixo. Claro que baixei o vidro e comecei a barafustar (a minha vontade era insultá-la de mastronça para cima, mas contive-me porque também estou perto do local de trabalho e não é que me apetecesse rodar a baiana, o que queria era enfiar-lhe cinco dedos nas fuças). Ela fez de conta que não me estava a ouvir e foi o que fez de pior porque a partir desse momento jurei-lhe, enfim, fazer-lhe a vida negra. Chamei a polícia, que não fez nada porque precisava que alguém lá estivesse quando o reboque chegasse e também tenho mais que fazer do que perder tempo com amibas. Preferi deixar recado com o arrumador, que o passou. Dois dias depois cruzo-me com a imbecil. Com tanto azar alguém já tinha ocupado "o lugar" dela. Preparava-se para estacionar num dos outros dois lugares proibidos. Assim que me viu saiu como se agora eu fosse proprietária de tudo quanto é espaço livre na avenida (gosto disto, no entanto) e ficou a falar com o arrumador, os dois a apontarem na minha direcção. A sério, gostava me dissessem alguma coisa.
O segundo contemplado foi um parvinho com uma carrinha de cargas e descargas. O segurança já anda a ficar possesso de me fazer favores e eu próprio já acho isto um abuso. O homem estava a estacionar e eu vá de estacionar ao lado dele e mandar-lhe os cães para cima. Se ele achava bem que eu andasse com a minha filha ao frio porque ele é um comodista. E ele a mandar-me argumentos totalmente disparatados, género "era só pedir" e o último, quando já não sabem o que dizer, "não se enerve". Ora, 1) não tenho de pedir nada, é do código; 2) claro que me enervo. Detesto perder tempo com inúteis. O certo é tirou mesmo o lugar do sítio.
E aquele "concentrado de burridade" que conduz o Clio preto se volta a pôr lá o carro leva com a polícia e com um bilhetinho educado a informar que fui eu que chamei o reboque. Só para se pôr em sentido. Ah, como é bom ter a razão do nosso lado!
Blogues que os pais visitam
Sítios para bebés... e não só