Quarta-feira, 11 de Novembro de 2009
Histórias infantis = terror sobre terror

Conforme já expliquei aqui, a hora de deitar tem um ritual próprio que termina com uma história na cama dos pais. Pode ser um conto, pode ser uma canção, pode ser inventada ou pode ser um resumo do caso "Face Oculta", como aconteceu hoje, noite em que foi o pai da Manena a deitá-la. Um senhor importante, uns senhores polícias, uns telefones mágicos... enfim... acho que ficou muito bem e que não ofende. Sobretudo, se comparado com o teor das histórias infantis que estão à disposição nas livrarias. (Bem sei que já falei sobre isto, mas, estou que nem posso, portanto façam de conta que isto é a revista Pais & Filhos, sempre a mesma coisa mas a gente finge que não e gosta sempre!)

Comecemos por uma pergunta que parecendo estúpida não é: os editores de livros infantis lerão o que mandam para a gráfica?

Erros ortográficos grosseiros ainda não apanhei, já textinhos mal traduzidos é à fartazana (permitam-me a liberdade estilística). Mas, enfim, isso é questão de não sair da livrarias sem os ter lido de fio a pavio. O que revolve mesmo as tripas é o conteúdo.

Ofereceram um livro do Patinho Feio à Madalena. O gesto é maravilhoso, o que não esperava é que lá dentro a história fosse a um do Patinho que nasce diferente dos outros e a quem a mãe diz: "És diferente, mas eu gosto de ti na mesma". Primeiro grande erro. Se é o mesmo, para quê dizer isso? Enunciar a igualdade é uma forma de discriminação. Depois, mais para a frente na história, fica a saber-se que o Patinho, por ser feio, era escorraçado de todos os sítos onde andava. No entanto, depois de se transformar no bonito cisne que conhecemos, arranja logo dois amigos que queriam muito brincar com ele.  Não acho normal! E, quanto mais não seja cá em casa, a história não se conta assim. E é tudo nesta linha.

 

As histórias infantis são filmes de terror para menores de 4:

- A Capuchinho Vermelha quase morre por ser curiosa e crítica - quer ver o atalho e desobedece à mãe;

- Nos Três Porquinhos, ser folgazão e devertido é sinal de que ainda se acaba sem tecto.

E depois também há casos claros em que a história foi rescrita, como acontece com o livro da Cinderela que trouxe do Brasil. Segundo o livro, naquele momento crucial em que o guarda do palácio anda de casa em casa a experimentar o sapatinho de cristal, é a própria da Gata Borralheira que se oferece para experimentar o modelo. Bem sei que se diz que as brasileiras são mais abertas que as portuguesas, mais extrovertidas, mais desinibidas e com menos pudores, mas isto já é abuso.



publicado por Lina às 00:59
link do post | favorito

Comentar:
De
 
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres



Copiar caracteres

 



O dono deste Blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

pesquisar
 
Abril 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9

11
12
14
15
16
17

18
19
20
21
22
23
24

25
26
27
28
29
30


Presente

To whom it may concern

Intervalo político

21 semanas

É o Armando Gama? É a Mar...

Ser madrinha

Passado

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Abril 2009

Março 2009

Fevereiro 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Setembro 2008

Agosto 2008

Julho 2008

Junho 2008

Maio 2008

Abril 2008

Março 2008

Fevereiro 2008

Janeiro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

links
tags

todas as tags

blogs SAPO
subscrever feeds