Não é que o mundo esteja propriamente a precisar da opinião da mãe da Madalena sobre o tema "Dá-me o telemóvel já", também conhecido como o caso do "Carolina", mas não podia deixar de dizer qualquer coisa sobre isto. Bem, sobretudo, porque Deus me livre de ter uma filha assim como a Patrícia, de 15 anos. Que está arrependida do que fez, mas que acha que a "stôra" implica com ela, porque já a mandou três vezes para a rua. Claro, está-se mesmo a ver, ó Patricinha: a professora estava muito bem a dar a sua aulinha de francês e entre um "comment t'appelle" e um "je ne sais quoi" mais, lembrava-se de dizer "ó Patrícia, saia, faz favor". Só mesmo a Patrícia, de 15 anos, que grita com a professora, dá ordens e a trata por tu é que podia pensar isso.
Na verdade, a Patrícia pôs-me a pensar em muitas coisas. Por exemplo, que aquele dia 12 de Março pode ter mudado a vida desta miúda para sempre. Há coisas que claramente nos mudam para melhor. Neste caso, não sei. Talvez esta miúda tire alguma lição de tudo isto. Ou não. Seja como for, do que me lembrei mesmo foi de um filme do Takeshi Kitano, o "Kikujiro", sobre miúdos japoneses ligados à máfia Yakuza (acho que é assim) e, mais do que isso, sobre essa falsa ideia que nos dão na adolescência de que nada do que fazemos terá repercussões no nosso futuro. Tem. Sempre.
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