Se há coisa que o papá odeia é que transforme o blogue em muro das lamentações da vida de mãe, mas hoje abro aqui um parêntesis para dizer que às vezes é muito difícil aguentar este país. E isto, podendo não parecer, tem tudo a ver com a Madalena (na exacta medida em que quando os 700 mil funcionários públicos deste país espirram um milhão e meio de pessoas se constipam).
A minha percepção da realidade pode estar toldada pelo cansaço de onze horas de avião, mas é frustrante estar cheia de vontade de chegar a Portugal, a casa, ao quentinho das coisas conhecidas, abrir o computador para ver o que se passou na última semana e perceber - pelas notícias, pela blogosfera, pelos mails - que não se avançou um metro em relação à semana que passou. Anda tudo a queixar-se da vida, e da vidinha, no 'corte' e pouco mais. Pior, numa contínua atitude de 'dizer sem dizer'. É detestável.
Escrever isto é fazer o mesmo (e eu tenho muito carinho pelo meta discurso), mas não dá para evitar esta sensação de que afinal o terceiro mundo é aqui e ficar calada. No Brasil está tudo a acontecer, faz-se, acontece-se e 2016 é já ao virar da esquina. Aqui há muita mesquinhez, mas com essa pode-se bem. É fazer pisca e ultrapassar. O que é insuportável é a pequenez. São aquelas 100 graminhas de queijinho flamengo, lá está...
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