Antes da Madalena nascer, a minha amiga Joana disse-me que os livros infantis traduzidos em português estão cheios de lições de moral e ideias pré-concebidas. Falhei em compreender a mensagem na sua real extensão. Mas era verdade.
Há centenas de livros de meninos que perdem a mãe porque são mal comportados. E está mal. Coitadinha da Mini, como se já não lhe bastasse a sua própria vida, e saber que de vez em quando (tantas vezes) nos dá mais jeito que ela durma fora de casa porque temos de trabalhar a horas impróprias para crianças, ainda vínhamos nós contar-lhe que o Pato Patareco se pôs a olhar para a borboleta, perdeu-se da mamã e da mana e ficou sozinho. Sim, eu contei esta história, só porque o livro é lindo e tens desenhos incríveis, como se uma criança de 19 meses não pudesse esperar mais uns meses (anos, quiçá) antes de compreender tudo isto. Depois admiro-me que ela chore e não queira que eu saia do quarto na hora de dormir...
Tão mal!
Sorte que uma pessoa pode mudar a agulha e ver a luz a qualquer momento. Sorte que me falaram do Goodnight Moon, azar que se trocaram na encomenda, mas sorte que me mandaram o My World, que é da mesma autora e é o grau zero da história: a mãe coelha lê o livro à bebé coelha, aconchega a filha na cama, faz-lhe o pequeno-almoço. A bebé coelha lava os dentes como o pai, vai pescar com o pai, conduz um carro como o pai - só que o dela é pequeno e dele é grande. Passam tempo no alpendre da casa. Assim, tão simplesmente! Como a vida de todos os dias. Sem história, sem lição, sem nada.
Não está traduzido (mais um desses mistérios insondáveis impossíveis de compreender tendo em conta que em Portugal são lançados livros novos quase todos os dias).
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