Eu sou a mãe que comete erros
Bem, eu vinha para casa, do trabalho, meia mole, um calor do caraças e fiquei ali parada na Antena 3 a ouvir umas mulheres que não identifiquei (só descortinei a Teresa Caeiro) a discorrerem sobre a educação, tendo por base o livro de um autor qualquer a propósito da educação dos filhos. Ouvi várias vezes, de pessoas que diziam ser mães, coisas como "porque os pais se demitem", "os pais não fazem"... Então, pensei: quando chegar a casa vou escrever como isto me parece uma tontice. Quando e como é que os pais passaram a ser culpados de tudo o que acontece aos filhos?
Seria uma desculpa maravilhosa, não digo que não, mas irreal. Ponto. Não haverá margem para debate sobre isto. Nem tudo é consequência dos "não" ou dos "sim" que vais ouvir ao longo da vida.
Pela minha parte, espero não me tornar numa destas pessoas que falam dos outros pais como se fossem uma categoria à parte, denunciando uma estúpida superioridade moral. Se por algum segundo te parecer que penso ser o supra-sumo da pedagogia é tanga. Eu sou a mãe que comete erros. Que diz e há-de dizer "não" impulsivamente e sem necessidade. Que se engana. Que se calhar vai dar uma palmada no rabo, que te dá chocolates e doces (e não devia), que não te deixa fazer coisas que desejas muito só porque tem medo, a mãe que manda tomar banho e fazer os TPC.
Pela parte que me toca, filha (e a todos os outros filhos que venha a ter), só posso prometer que ajo por bem.
Da conversa radiofónica retiro apenas uma ideia. Os pais não devem ser amiguinhos dos filhos. Podes ficar descansada. Não estou a pensar entrar nesse campeonato. Quero que possamos conversar de tudo o que pais e filhos precisem de falar, mas não pretendo sair à noite contigo, não tenha a expectativa que me contes como foi o teu primeiro beijo ou que seja comigo que aprendes a jogar xadrez. É a vida. E tu, és do mundo. Se te parece que me esqueço disso, lembra-me.
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