Quinta-feira, 19 de Novembro de 2009
Gripe A: a maior pandemia é a do alarmismo

Hoje mandei um sms à pediatra da Madalena com duas perguntas simples:

- Não encontro a segunda dose da vacina contra a gripe sazonal, que faço?

- Ela tomou a primeira vacina há uma semana, pode tomar já a da gripe A?


À primeira, ela respondeu tranquilamente sem qualquer problema. A resposta à segunda disse "pode dar", uma resposta que, no contexto em que aparece, soa mais a bitaite tranquilizador do que a outra coisa, género "mais uma mãe a chatear-me a pinha com este assunto". E não é assim. Eu já falei com ela sobre este tema, ela está de acordo com a vacina e eu confio nela, portanto, não há problema. Mas não posso deixar de pensar: "E se ela não percebeu bem a pergunta e apenas me despachou". Ora, a que se deve isto? À porcaria de clima de suspeição que foi gerado em torno desta vacina e ao estúpido alarmismo em redor de uma doença para a qual há cura.


Isto não é sequer um post sobre Gripe A, é sobre o jornalismo que se faz. Que fazemos. Está certo que se alerte para os perigos da vacina, mas está certo que se dê notícia de todas as mortes de fetos que morrem e cujas mães foram vacinadas? Não foram todas? E não há um monte delas, a maioria até, que tem os bebés em perfeitas condições de segurança? Acaso antes não morriam fetos no dia em que nascem antes da gripe A? Morriam, e é claro que é uma coisa horrorosa (nem é bom imaginar). Tão horrorosa como agora. A diferença é que nessa altura não havia um culpado para apontar ou uma câmara de televisão para a qual falar. Está certo que as pessoas o façam, o que não aceito é que jornais e televisões (sobretudo estas) estabeleçam uma causalidade que depois não é confirmada por médicos. Ou que eles próprios ou os obstetras se desmintam dizendo que os números são perfeitamente "normais".



publicado por Lina às 00:26
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1 comentário:
De vanita a 19 de Novembro de 2009 às 01:26
O problema, Lina, é que nenhum médico pode, em consciência, garantir que estas três mortes - sim, já são três - não estão directamentemente relacionadas com a vacina. E porquê? Porque se a vacina para a gripe sazonal está estudada e analisada com algum rigor, esta não teve tempo para que todos os efeitos adversos fossem efectivamente apurados. Que as vacinas são uma das melhores descobertas da medicina, não há dúvida. Que a gripe sazonal todos os anos mata milhares - em silêncio - também se sabe, O que ainda não se sabe é a dimensão que esta estirpe pode assumir, sendo que os estudos feitos até são mais alarmistas do que a comunicação social tem veiculado. Apostou-se numa postura de prevenção, mas com a consciência de que não se sabe bem o que se tem entre mãos. E sim, a Gripe A pode ser muito perigosa, mais pela incapacidade de o organismo de lutar contra ela do que pela própria doença em si, como é o caso de quem sofre de doenças respiratórias ou crónicas. Qual a melhor postura? Não sei. Mas prefiro ser informada destes casos do que não saber deles. E acredita que entendo a angústia de quem tem filhos pequeninos ou das grávidas. É que realmente é difícil escolher o melhor caminho.

Beijos


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